Responsabilidade social: O valor invisível que transforma os ativos
Durante muito tempo, no setor imobiliário, falámos de valor como sinónimo de metros quadrados, localização e rentabilidade. Hoje, essa visão já não chega e, na verdade, já não faz sentido.
A forma como desenhamos, gerimos e ativamos os espaços tem um impacto direto na vida das pessoas. Ignorar essa responsabilidade é ignorar o papel que as empresas têm na construção das cidades. E essa é uma mudança que não é opcional.
Os dados confirmam-no. Segundo a NielsenIQ, mais de 78 % dos consumidores valorizam a sustentabilidade nas suas decisões. Mas mais do que uma tendência, isto reflete uma exigência: as pessoas esperam que os espaços onde vivem, trabalham e consomem sejam mais inclusivos, mais acessíveis e mais humanos.
Na Nhood, acreditamos que um ativo não pode limitar-se a funcionar, ele tem de servir. Servir a comunidade, responder às suas necessidades e evoluir com ela. Gerimos mais de 320 mil metros quadrados em Portugal e recebemos cerca de 47 milhões de visitas por ano. Isto não são apenas números. São pessoas, com diferentes realidades, expectativas e desafios.
É por isso que a responsabilidade social não é um projeto paralelo. Está no centro da forma como pensamos e operamos os nossos ativos. Está na Hora Silenciosa, que permite que pessoas com perturbações do espetro do autismo possam viver os espaços com conforto. Está na integração do ColorADD, que dá autonomia a pessoas daltónicas. Está na formação contínua das equipas para garantir que todos sabem acolher melhor.
Mas também está na forma como antecipamos mudanças. O crescimento do trabalho híbrido levou-nos a criar Workspots gratuitos. A necessidade de reforçar a ligação às comunidades traduziu-se em agendas culturais mais próximas e relevantes. Porque um centro comercial não pode ser apenas um lugar de passagem, tem de ser um lugar de pertença.
A responsabilidade social não é, para nós, uma extensão da estratégia ESG. É a sua base. É o que dá sentido aos pilares Pessoas, Planeta, Proveitos e Governance. É o que garante que falamos de impacto real e não apenas de intenções.
Olhando para 2050, a questão não é quem fala de responsabilidade social. É quem a transforma em ação.
Porque, no futuro, não serão os ativos maiores ou mais modernos a liderar, serão os mais relevantes para as pessoas. E relevância não se constrói com discursos, constrói-se com decisões todos os dias.
Luis Arrais, Property Director Iberia